No último sábado (28), a guerra envolvendo EUA, Israel e Irã atingiu um novo patamar com o fechamento do Estreito de Ormuz, via por onde transitam cerca de 20% de todo o petróleo mundial.
O movimento paralisou o tráfego na região e colocou o comércio exterior global em estado de alerta.
O que os armadores já decidiram
A resposta dos grandes armadores foi imediata.
A MSC suspendeu todas as reservas de carga com destino ao Oriente Médio até novo aviso. A CMA CGM instruiu seus navios no Golfo a buscar abrigo, suspendeu a passagem pelo Canal de Suez e anunciou o redirecionamento das rotas pelo Cabo da Boa Esperança, além de impor uma sobretaxa de emergência por conflito a partir desta segunda-feira (2), com valores adicionais entre US$ 2.000 e US$ 4.000 por contêiner.
A Maersk adotou o mesmo caminho, redirecionando todos os serviços MECL e ME11 pela rota africana, abandonando o Canal de Suez. A Hapag-Lloyd também suspendeu operações na região.
No campo operacional, destroços de drone atingiram o porto de Jebel Ali, causando incêndio. O Porto de Haifa, em Israel, foi alvo de mísseis iranianos durante o fim de semana, embora as autoridades portuárias informem que as operações seguem ocorrendo normalmente.
Cargas destinadas ao Golfo deverão ser descarregadas em portos alternativos (Salalah, Khor Fakkan, Sohar, Duqm e Colombo), com o transporte final dependendo de embarcações menores dispostas a operar na região.
O impacto no transporte aéreo
O conflito não ficou restrito ao modal marítimo. O fechamento de hubs como Dubai e Doha interrompeu o fluxo de produtos sensíveis, como eletrônicos e fármacos.
A Qatar Airways Cargo paralisou voos para Doha após o fechamento total do espaço aéreo do Catar. O Grupo Cathay suspendeu todas as operações no Oriente Médio. A KLM interrompeu serviços para Dubai, Riad e Dammam até 5 de março. Turkish Airlines, Etihad e Flydubai também registraram cancelamentos.
Os reflexos no comércio exterior brasileiro
Para o Brasil, o cenário exige atenção em várias frentes.
Nas exportações, os setores de carnes, açúcar e milho destinados ao Oriente Médio podem enfrentar dificuldades logísticas. Vale destacar que o Irã foi o maior comprador de milho brasileiro em 2025.
Nas importações, a grande preocupação é a ureia. O Irã é um fornecedor relevante desse fertilizante no mercado mundial, e qualquer interrupção no fornecimento tende a encarecer os custos de produção no campo.
Há ainda um efeito indireto: o Irã é o principal fornecedor de gás natural para a produção de fertilizantes nitrogenados em países como Catar, Omã e Nigéria, que exportam esses produtos ao Brasil. O Catar já anunciou nesta segunda-feira (2) a interrupção de sua produção de gás natural liquefeito (GNL).
Internamente, o petróleo, que chegou a ultrapassar US$ 80 o barril no fim de semana, pode pressionar o preço do diesel e, consequentemente, o frete rodoviário no país.
O agronegócio pode ser duplamente afetado: pelo aumento no custo dos insumos e pela complexidade de escoar a produção em um cenário com fretes internacionais elevados.
O que esperar nos próximos dias
O redirecionamento das rotas pelo Cabo da Boa Esperança deve gerar congestionamento nos portos alternativos do Golfo e, em cadeia, nos principais hubs asiáticos, Singapura, Tanjung Pelepas e Port Klang, entre outros. As tarifas spot para o Golfo já apresentam alta acelerada, com efeito cascata esperado para outros mercados de longo curso, incluindo o fluxo Ásia–Brasil.
Geopoliticamente, o conflito deve forçar rearranjos na compra de petróleo. A China, que importa 20% do óleo bruto do Irã, enfrenta sérios riscos de abastecimento, enquanto grandes compradores como China e Índia devem recorrer à Rússia para suprir sua demanda interna.
A estabilidade operacional agora depende de rotas alternativas e da capacidade das cadeias de suprimento de absorverem este choque sistêmico. Seguimos monitorando o cenário.
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